“Avô do Bitcoin” e criador do movimento cypherpunk lançará nova criptomoeda

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David Chaum pode não ter criado o Bitcoin, mas foi ele quem fundou o movimento cypherpunk e quem “inventou” o dinheiro digital, afinal, já em 1982, expressou suas ideias no artigo Blind Signatures for Untraceable Payments (Assinaturas cegas para pagamentos não rastreáveis) e, com isso, lançou toda a base para que as coisas evoluíssem até o Bitcoin e as demais criptomoedas. Em 1989, Chaum aplicou seus conhecimentos e ideias no desenvolvimento da DigiCash, a empresa que seria responsável pelo e-cash, o primeiro “dinherio eletrônico anônimo” do mundo, criado antes mesmo que a internet estivesse disponível fora dos ciclos acadêmicos e governamentais. Além disso, já em 1990, junto com Moni Naor, propôs um sistema de pagamento para o e-cash que funcionava off-line e também se baseava em assinaturas cegas.

Recentemente, Chaum mostrou-se envolvido em outro projeto, o Elixxir e, como revela a agência de notícias Coindesk, seus objetivos são ousados e preveem mais velocidade nas transações, privacidade para os usuários e escalabilidade para o projeto, fatores que o cypherpunk acredita serem fundamentais para adoção da tecnologia blockchain junto ao mainstream.

“(atualmente as criptomoedas) não são realmente adequadas para uso generalizado”, disse Chaum.

Para tanto, o criptógrafo afirma ter feito dois avanços muito importantes em relação à tecnologia blockchain, um deles é mudar as assinaturas digitais, um componente criptográfico crucial da criptomoeda, usado para verificar se alguém possui a criptomoeda que eles dizem que possuem. De acordo com Chaum, a forma como as assinaturas digitais são computadas na maioria das criptomoedas hoje é apenas um incômodo. “Essas assinaturas são computacionalmente caras demais”, afirma Chaum.

“Não há como obter velocidade e escalabilidade se, para cada transação, um servidor tiver que fazer uma operação de chave pública, como fazer uma assinatura ou verificar uma assinatura”, disse ele.

Então a proposta do Elixxir seja ter um sistema de assinatura totalmente diferente, que segundo seu criador poderia tornar as confirmações em sua blockchain até mil vezes mais rápidas que qualquer outra, além de ser “quantum secure”, ou seja, protegida contra computação quantica, “é um avanço. Ninguém mais faz nada parecido”, acrescentou.

Para resolver a falha que ele aponta existir em relação à privacidade, Chaum desenvolveu um sistema chamado de computações multipartidárias, um termo que ele inventou décadas atrás e que até hoje é um recurso utilizado por criptomoedas com Zcash e que agora ele pretende fazer um “update”, por meio dos chamados “mixnodes”, que o criptografo compara a um grupo de pessoas sentadas em torno de uma mesa de cartas. Cada um corta o baralho e embaralha, passando para a próxima pessoa. Digamos que três deles sabem embaralhar as cartas de uma forma que os ajuda a determinar a localização das cartas no baralho (no popular masso), no entanto, se apenas uma pessoa na mesa for honesta e embaralhar as cartas suficientemente bem, essas pessoas, no final, estão “completamente no escuro” e não terão êxito em sua tarefa de “fraudar” o baralho, disse Chaum.

O que trouxe Chaum para a construção do projeto Elixxir foi suspeita e apreensão sobre o estado da indústria de criptomoedas hoje. “Neste espaço, há muitas alegações infundadas sendo feitas”, disse ele, acrescentando que “as pessoas entortam as regras. Elas tentam apresentar as coisas de uma maneira que as façam parecer o melhor possível”, continuou Chaum, argumentando que muitos projetos “encobrem” várias questões técnicas que poderiam quebrar ou prejudicar um projeto.

“Nosso objetivo maior é garantir os direitos digitais às pessoas em sua capacidade de controlar todos esses aspectos de suas vidas digitais e a criptografia é a única coisa que pode dar poder ao indivíduo na Era da Informação” finalizou.

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