Bolsa de estudos no exterior: o que fazer para conseguir?

Bolsa de estudos no exterior: o que fazer para conseguir? Qualificar-se profissionalmente não significa apenas aprender técnicas e assimilar conhecimento. Já passou o tempo em que a conquista de um emprego dependia apenas de uma boa formação. Hoje, empresas procuram por profissionais completos. Nesse sentido, uma bolsa de estudos no exterior representa um tremendo diferencial.

Estudar fora do país de origem é a chance de acumular conhecimentos que, em teoria, não estão acessíveis no Brasil. A experiência de vida também é muito importante, pois revela uma qualidade desejável em todos os segmentos profissionais: a independência.

Em se tratando de estudar no estrangeiro, até mesmo estudantes que têm os estudos custeados pelos pais precisam de disciplina elevada e muita capacidade de adaptação. Para superar o desafio de viver e estudar fora do Brasil, é necessária ainda uma boa dose de iniciativa.

Somente considerando esses aspectos, não é difícil concluir que uma oportunidade de aperfeiçoar-se profissionalmente em outro país é um grande salto de qualidade. Exige uma dose de sacrifício e um pouco de desprendimento, afinal, não é nada fácil deixar familiares, amigos e toda uma vida para trás para viver em um local desconhecido.

Felizmente, a experiência comprova que a recompensa faz valer a pena. Por isso, queremos ajudá-lo a se orientar para que seu sonho se realize. Neste artigo, encontra-se um guia completo para quem tem planos de seguir para outro país, adquirir formação e mudar de vida.

Leia atentamente e guarde em seus favoritos como fonte permanente de consulta. Se você ainda não sabe nada sobre o que fazer para estudar no exterior, chegou a sua oportunidade. E se já sabe alguma coisa, certamente algum dos tópicos abordados poderá trazer um dado novo.

Quais são as vantagens de uma graduação no exterior?

Você sabia que as universidades que mais garantem emprego no mundo estão fora do Brasil? É o que diz o Ranking Mundial 2017 das Universidades e da Empregabilidade. Segundo essa pesquisa, as instituições que oferecem as melhores condições de empregabilidade estão em países como Estados Unidos, Japão, China, Alemanha, entre outros.

Portanto, quem quer de fato sair de um curso superior ou de pós-graduação com trabalho garantido, pode e deve procurar por formação no exterior. Há, ainda, a oportunidade de ganhar fluência em um idioma estrangeiro, outro fator que aumenta muito as chances de conseguir uma vaga no mercado de trabalho.

Isso se aplica a qualquer nível de estudo; do equivalente ao Ensino Médio a cursos de graduação, pós-graduação, MBA e doutorado. Ter um diploma estrangeiro certamente coloca seu portador à frente dos profissionais graduados no Brasil, embora existam excelentes instituições de ensino brasileiras.

A própria vivência no exterior já representa um diferencial. Um candidato que viveu fora de seu país de origem acaba desenvolvendo mais habilidades para resolução de problemas. Trata-se de um atributo desejável pela maioria das empresas: a proatividade, que acentua-se quando o estudante concilia estudos e trabalho longe de casa.

Não se pode deixar de destacar que uma graduação no exterior é a chance de aprofundar-se em áreas do conhecimento com pouca oferta de profissionais no Brasil.

Desde que escolhida com critério, essa é a melhor forma de tornar um profissional ainda mais diferenciado, principalmente se a opção for por cursos de MBA ou doutorado, cuja conclusão requer do estudante o desenvolvimento de pesquisa.

Entretanto, nem sempre as condições econômicas necessárias para sair do Brasil estão garantidas. É por isso que muitos optam por aderir a programas de incentivo financiados pelo setor público. No próximo tópico, você poderá conhecer os principais e o que fazer para se candidatar.

Que tipo de programa oferece essas bolsas?

Embora a crise econômica tenha reduzido consideravelmente o aporte de recursos para programas de financiamento estudantil no estrangeiro, ainda é possível conseguir bolsas de estudos no exterior por intermédio do setor público.

Hoje existem três grandes programas de fomento para estudantes que pretendem graduar-se fora do Brasil:

Fundação Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é mantida pelo Ministério da Educação e se organiza como uma fundação. Tem como objetivos a expansão do ensino em nível de pós-graduação e o incentivo à pesquisa.

Sendo assim, são oferecidas bolsas apenas para cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Há sete tipos de programa disponíveis. Confira!

  • Estágio Sênior — para doutores há pelo menos 8 anos.
  • Doutorado.
  • Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE).
  • Pesquisa Pós-Doutoral.
  • Apoio a Eventos no Exterior (AEX).
  • Programa de Áreas Estratégicas e Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia.
  • Grande Prêmio CAPES de Teses.

O programa oferece diversas bolsas de estudo no exterior, e os valores pagos variam conforme o tipo de curso e de acordo com legislação própria. Em relação ao Ciência sem Fronteiras, é importante destacar que o programa foi extinto. embora o site não tenha retirado do ar as informações gerais sobre procedimentos, critérios e processo seletivo.

Para se candidatar, é necessário aguardar a abertura dos processos seletivos para os diversos programas mantidos pela fundação. Veja, por exemplo, como foi o processo seletivo para pós-doutorado no exterior em 2018, cujas inscrições foram encerradas em fevereiro.

CNPq

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é uma agência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Diferentemente dos outros programas, nele o foco é a formação de recursos humanos em áreas consideradas estratégicas pelo governo, com ênfase na pesquisa tecnológica e científica.

Podem concorrer estudantes de todos os níveis, desde o Ensino Médio até pesquisadores com experiência internacional. Pelo programa, é possível concorrer a bolsas de estudo no exterior, em cursos de graduação, pós-graduação e para pesquisa. As bolsas destinam-se à formação profissional e os valores concedidos são para custear moradia, alimentação, transporte e até para compra de laptops, no caso da bolsa para graduação.

Que tipo de curso pode ser feito por meio de bolsas?

Como vimos, os principais programas de apoio ao estudante financiados pelo governo são bem abrangentes e possibilitam que os estudantes, desde a graduação até o pós-doutorado, concluam seus estudos ou pesquisas no exterior.

No entanto, essa não é a única via pela qual você poderá se candidatar a uma bolsa de estudos fora do Brasil. Quem está a procura de um curso de graduação, por exemplo, tem nas instituições de ensino portuguesas uma opção prática. Atualmente, 18 delas aceitam a nota do ENEM como parte do vestibular.

Entre as principais, temos a Universidade de Coimbra, Universidade de Algarve, Instituto Politécnico de Leiria e diversas outras.

Para instituições de ensino de outros países, vale a pena acompanhar o feed da Scholarships for Development. O site funciona como um monitor em tempo real dos processos seletivos para bolsas de estudo — scholarships — abertas, tornando a vida do candidato muito mais fácil.

Há vagas até mesmo para jovens estudantes de níveis médio e fundamental, como é o caso das bolsas oferecidas pelo Independent Schools Yearbook (ISYB), que lista instituições inglesas com vagas abertas.

No caso das instituições estrangeiras, a escolha do tipo de bolsa de estudo deve considerar também dois fatores:

  • mérito acadêmico — em países de língua inglesa, são conhecidas como bolsas merit-based, ou seja, para fazer jus a uma delas, é necessário apresentar desempenho acadêmico acima da média;
  • necessidade financeira — estudantes que pretendam estudar fora, mas não contam com recursos suficientes, podem se candidatar a bolsas nessa categoria, desde que tenham renda familiar compatível.

Um exemplo de instituição de ensino que abrirá processo seletivo em 2018 para bolsas merit-based é a Universidade da Columbia Britânica, no Canadá. Já estudantes que precisam de auxílio financeiro para estudar fora poderão se candidatar a uma das bolsas oferecidas pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Como as universidades podem ajudar nessa conquista?

Se a ideia é concorrer a bolsas de estudo para intercâmbio de períodos mais curtos, as opções são ainda mais variadas. Para facilitar sua vida, destacamos algumas instituições e programas com processos seletivos já abertos em 2018:

Turin School

Quem quiser passar um período curto estudando na Turin School of Local Regulation, na Itália, pode se candidatar ao curso de verão. Serão aceitas inscrições até o dia 04/06/18, e o curso será realizado entre os dias 3 e 14 de setembro. Podem se candidatar estudantes do último ano de graduação ou estudantes de pós-graduação em diversas áreas.

ISU Kassel

Se seu sonho é estudar na Alemanha, a Universidade de Kassel tem vagas para o curso de verão com duração de 4 semanas. Os cursos consistem de seminários, chamados de International Summer University at Kassel (ISU Kassel).

As inscrições estão abertas até o dia 18 de março, com possibilidade de bolsa de 2.200 euros, mais ajuda de 210 euros para despesas de viagem para os interessados no curso de Nanociência. As disciplinas disponíveis são:

  • Ciências do Esporte — Aprendizado de Motores e Remo.
  • Cultura — Comunicação Internacional e Cultura Alemã;
  • Engenharia — Meio Ambiente e Inovação;
  • Nanociência — Moléculas e Tecnologia;

Programa Jovens Embaixadores

Financiado pelo governo norte-americano, o Programa Jovens Embaixadores é destinado a jovens que se destaquem por alguma realização social em suas comunidades.

Os escolhidos viajam para Washington, capital dos Estados Unidos, onde ficam por uma semana aprendendo sobre a cultura ianque. Depois, são divididos em grupos, que seguem para diversas partes do país.

Cada um dos jovens é recebido por uma família anfitriã e são matriculados em escolas locais para cumprir o tempo restante do programa. A partir de então, eles realizam atividades sócioculturais conjuntas, inclusive apresentações sobre a cultura do Brasil.

O que as boas universidades procuram em um bolsista?

Embora existam muitos programas cuja finalidade é auxiliar o estudante a concluir seus estudos, um atributo essencial para o estudante, não importa se bolsista ou não, é a independência.

Em cursos de pós-graduação principalmente, além dos pré-requisitos acadêmicos, o estudante precisa focar em projetos de sua autoria. Ou seja, já não se trata apenas de ser um aluno assimilando conteúdos em sala de aula, mas de ser também um produtor de conhecimento.

Dessa forma, são qualidades desejadas pelas instituições de ensino estrangeiras a capacidade de articular ideias e formar novos saberes. Além disso, originalidade e habilidade para expressar as ideias de forma clara são indispensáveis para quem quiser se destacar.

Embora os cursos de mestrado e doutorado sejam mais exigentes em relação à independência, na graduação essa também é uma qualidade extremamente bem-vinda. Aqui, é importante atentar para a parte dos projetos exigidos para a conclusão de curso.

No caso do mestrado, você só conseguirá o diploma se defender uma dissertação. Já o doutorado exige uma prova de doutoramento, na qual é cobrada uma tese como requisito para conclusão de curso.

Validação de diplomas

Um detalhe importante, independentemente do curso que você faça: não deixe de reconhecer a validade do diploma, por meio de apostilamento. Caso não faça isso, corre-se o risco de ter um certificado inválido no Brasil.

O mesmo vale para os diplomas brasileiros, exigidos como documentação para serem aceitos em cursos no exterior.

Graças à Convenção de Haia, no Brasil, a validação de diplomas por apostilamento pode ser feita de forma rápida em cartórios. Certifique-se, junto a sua instituição de ensino, onde as autoridades que assinam seu diploma têm firma reconhecida e o apostile nesse mesmo local. Isso vale para quem pretende fazer uma pós-graduação no exterior que tenha como exigência um diploma de nível superior.

Como se preparar para enfrentar esse desafio?

Morar no exterior exige também uma série de procedimentos que devem ser realizados com antecedência. A primeira questão com a qual você deverá se preocupar é a documentação, inclusive o passaporte, caso ainda não tenha. Para estudar fora, é necessário também um visto de residência, emitido pela embaixada do país de destino no Brasil.

Como não poderia deixar de ser, o primeiro documento a ser providenciado é a comprovação de matrícula junto à instituição de ensino. Afinal, o pedido de residência precisa ser justificado de alguma forma.

Cada embaixada adota processos distintos para emissão de visto de residência para estudantes. O ideal é consultar o site e informar-se sobre as exigências nesse caso.

Para os Estados Unidos, por exemplo, um visto para estudante em período integral é diferente do que é concedido para os de intercâmbio.

De qualquer forma, independentemente do país, é fundamental dar início a todos os procedimentos com máxima antecedência, e isso inclui a própria candidatura. Não há como dar entrada no pedido de visto sem a comprovação de vaga.

Considere que um visto pode levar de 60 a 120 dias para ser emitido. Não adianta tentar apressar as coisas, as embaixadas costumam ser bastante rigorosas em seguir os prazos e ignoram solenemente reclamações de pais e estudantes que não se planejaram da forma adequada.

Verifique atentamente tudo que for exigido para emissão de visto de residência para estudante e contabilize os prazos de maneira a garantir a compra de passagens a tempo de chegar no início do período letivo. Muito importante: jamais compre passagens aéreas sem ter o visto garantido em seu passaporte.

Que tipo de organização financeira o aluno deve ter?

Já que falamos das passagens aéreas, nesse aspecto surge uma outra questão fundamental, a financeira. Até mesmo quem vai para o exterior com bolsa de estudos vai precisar de dinheiro para arcar com o custo de vida. Sendo estudante, nem sempre a possibilidade de conseguir emprego é garantida, embora seja possível estudar no exterior com pouco dinheiro.

É verdade que há países em que os estudantes são até incentivados a trabalhar enquanto avançam em seus cursos, como é o caso do Canadá. No entanto, são exigidos testes de proficiência na língua inglesa, como o TOEFL ou IELTS.

Seguem as perguntas que você deverá fazer a si mesmo para certificar-se de que poderá se manter no exterior.

  • de quanto preciso para custear minha passagem aérea?
  • quanto vou gastar com a documentação (passaporte, visto, certificados etc.)?
  • quanto será necessário para viver por mês?
  • como farei para ganhar esse dinheiro (caso os pais não possam ajudar)?
  • onde poderei morar?
  • quanto posso juntar para ter uma reserva de segurança?

Dá para perceber que as respostas a todas essas questões demandam muita pesquisa e um rigoroso planejamento. A dica principal é já se organizar a partir do Brasil. Assim, quando chegar ao país estrangeiro, você terá a referência necessária para não ficar perdido, sem saber o que fazer.

Para facilitar, use planilhas do Excel ou do Google para dispor os dados e onde os gastos serão alocados. Organize despesas como alimentação, moradia, transporte e lazer em colunas, faça os cálculos com base no que você gasta aqui no Brasil e calcule fazendo a conversão para a moeda do local de destino. Acostume-se a trabalhar com duas moedas e a acompanhar o câmbio diariamente.

Para transferências de dinheiro entre países, use o aplicativo Transferwise, que tem as taxas mais baixas do mercado.

Como escolher a universidade ideal para uma bolsa no exterior?

Entre tantas opções de instituições de ensino e cursos, é natural uma certa confusão na hora de escolher. Se você pretende fazer uma graduação completa no exterior e não decidiu o curso, pode ser que um teste vocacional ajude a orientar sua decisão.

No entanto, para quem já está matriculado em uma faculdade e pretende fazer intercâmbio, algumas questões devem ser levantadas:

  • idioma — é importante conhecer o idioma local, até mesmo porque a maioria das instituições não aceita estudantes que não são fluentes;
  • módulos e cursos oferecidos — digamos que você estuda Letras e adoraria estudar na Inglaterra. Será que há alguma faculdade no exterior que ofereça algum tipo de acolhimento dentro de seus cursos?
  • custos com mensalidades — geralmente, as bolsas de estudo contemplam apenas parte do valor da mensalidade. Se for esse o caso, você precisará saber se os valores são compatíveis com suas possibilidades;
  • custo de vida — calcule antecipadamente custos com moradia, alimentação e transporte.

Não se esqueça também de consultar o ranking de empregabilidade que linkamos lá no início do artigo. Certamente você não vai querer que todo seu esforço não resulte em um emprego adequado após a conclusão do curso. Quanto mais bem colocada a instituição estiver na lista, maiores as chances de você conseguir uma vaga com salários compatíveis com o tempo e dinheiro investidos.

O tempo de conclusão do curso também é um fator a se considerar. No caso dos cursos de graduação, geralmente é de 4 anos. Mas se a opção for por uma pós-graduação, há cursos que levam até dois anos para serem concluídos. Avalie o quanto de tempo você pode ou gostaria de permanecer fora e considere se vale a pena ou não.

Como tirar maior proveito da experiência lá fora?

Uma vez que a vaga esteja garantida e que você reúna as condições necessárias para viver e estudar no exterior, uma nova etapa de sua vida vai começar. Novos amigos, novas culturas e toda uma maneira de ser e de pensar passarão a fazer parte do seu dia a dia.

É preciso, antes de mais nada, ter a mente aberta e não ter medo de encarar os desafios.

No começo, é normal o estranhamento. Mas, aos poucos, procure conhecer como as pessoas se expressam, o que é aceito e o que não é aceito pela cultura e costumes. Lembre-se de que o que pode ser estranho para você pode não ser para as pessoas locais.

O ideal é encontrar o equilíbrio para que a experiência seja produtiva para todos. Afinal, mesmo que você esteja em um país estrangeiro para aprender, também pode ensinar algo.

Agora que você está mais bem informado, é hora de ir à luta e buscar uma oportunidade que certamente será enriquecedora em todos os sentidos. Mantenha-se em movimento e se não estiver em condições de partir agora ou nos próximos meses, tenha paciência e aproveite para guardar dinheiro e aprender.

Nem sempre a garantia da bolsa de estudos no exterior é suficiente, mas com planejamento e organização tudo fica mais fácil. Converse com seus pais e familiares. Afinal, o apoio deles é decisivo para que sua jornada seja bem-sucedida!

Enquanto isso, continue acompanhando nosso blog e aproveite para se informar ainda mais. Acesse já o Guia Prático Para Escolher a Profissão Ideal e aumente as chances de acerto. Até a próxima!

  • Fonte: Universia

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