Macron diz a Netanyahu que reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é ‘perigosa ameaça à paz’

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente francês, Emmanuel Macron, apertam as mãos durante entrevista coletiva conjunta no Palácio Eliseu, em Paris, no domingo (10)

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse neste domingo (10) ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que a decisão de Donald Trump em reconhecer Jerusalém como a capital israelense é uma “perigosa ameaça à paz” e “contrária ao direito internacional”.

“A França continua convencida de que a única solução, conforme o direito internacional e a nossos engajamentos a longo prazo, é permitir a existência de dois Estados lado a lado, em paz, e isso só pode acontecer através da negociação. Nós apoiaremos toda a iniciativa neste sentido”, declarou Macron à imprensa, ao lado de Netanyahu.

Durante uma coletiva conjunta após o encontro, no Palácio Eliseu, sede da presidência francesa, Macron também condenou todas as formas de ataque contra Israel realizadas após o anúncio de Trump.

Ele reforçou, porém, que o único modo de resolver a crise, em sua opinião, é através do diálogo. “A paz depende da capacidade dos dirigentes israelenses e palestinos”, afirmou.

O presidente francês diz que sugeriu ao premiê israelense que um primeiro passo seja dado por Israel. “Parece-me que começar pela pausa na colonização e medidas de confiança em relação à Autoridade Palestina são gestos que evocamos com o primeiro-ministro Netanyahu que são importantes”, revelou, de acordo com a Rádio França Internacional.

Apesar de sorridente, Netanyahu deixou claro que não concorda necessariamente com Macron, a quem se referiu como “amigo” durante a coletiva. Mesmo agradecendo o apoio da França pelos “ataques terroristas” sofridos por Israel nos últimos dias, ele praticamente recusou publicamente o conselho do presidente francês.

“Se o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, quiser a paz, que ele venha negociar com Israel”, disse, afirmando que não há paz entre israelenses e palestinos porque Abbas não quer dialogar.

Ainda durante a entrevista, Netanyahu aproveitou para criticar o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que disse que Israel é “um estado terrorista que mata crianças”.

Questionado por um jornalista, o premiê israelense respondeu: “Não tenho que receber lições de moral de um dirigente que bombardeia localidades turcas na Turquia, que prende jornalistas, ajuda o Irã a driblar as sanções internacionais e ajuda os terroristas, especialmente em Gaza”.

Netanyahu chegou neste domingo a Paris a caminho de uma reunião com os Ministros de Relações Exteriores da União Europeia na segunda-feira, em Bruxelas, na qual estes tentarão apresentar uma frente unificada após a decisão Trump sobre Jerusalém, segundo a Reuters.

Antes mesmo de deixar Israel, no entanto, o premiê enviou um aviso, dizendo que não pretende aceitar a “hipocrisia” da Europa.

“Embora eu respeite a Europa, não estou preparado para aceitar dois pesos e duas medidas”, afirmou. “Eu escuto vozes de lá condenando a declaração histórica do presidente Trump, mas não escutei condenações aos foguetes lançado contra Israel”, disse.

Netanyahu fazia referência aos disparos de foguetes a partir da Faixa de Gaza contra o território israelense.

A visita de Netanyahu a Europa foi planejada antes da declaração de Trump sobre Jerusalém.

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